por Nathalia Marangoni
em 1 Junho, 2017
8 min(s) de leitura

Cape Town é detentora de muitos títulos: entre eles, é conhecida como a capital turística da África do Sul e considerada a cidade mais cosmopolitana do continente africano. Este forte apelo internacional pode ser visto – e saboreado – em seus variados restaurantes. A Mother City oferece uma gama de experiências gastronômicas de todas as partes do mundo: China, Índia, Japão, Itália, Grécia, Estados Unidos, Vietnã, França, Bélgica, Cuba…

São tantas opções por toda a cidade, que muitos viajantes podem se perder nos aromas e sabores internacionais e acabar não provando o que há de melhor da cozinha típica do continente. Por isto, separamos uma seleção de restaurantes para que você não perca a chance de provar um saboroso banquete tradicionalmente africano e conhecer mais sobre sua vasta cultura e história!

Bo-Kaap Kambuis: identidade e cultura Cape Malay

Para falar sobre o Bo-Kaap Kambuis, precisamos falar primeiro sobre a comunidade Cape Malay, um grupo étnico de pessoas que foram escravizadas pela Companhia Holandesa das Índias Orientais para trabalhar na construção de Cape Town. Chegaram à cidade em 1652, vindos de países como Madagascar, Índia, Sri Lanka, Indonésia e outras regiões do sudeste da Ásia. Sua criatividade no uso de ingredientes locais sul africanos na tentativa de recriar pratos tradicionais de seus países de origem foi indispensável para moldar a identidade, cultura e gastronomia de Cape Town.

Situado no colorido bairro de Bo-Kaa, o Bo-Kaap Kombuis traz o que há de mais autêntico da cozinha Cape Malay: seu menu é ideal para os apaixonados por pratos saborosos e apimentados. Para entrada, há um delicioso prato de petiscos composto por dhaltjies (bolinho frito feito de farinha de grão de bico e recheado com espinafre), samoosas e creamy patata waras (bolinho frito recheado com batata e especiarias).

Para as refeição principais, o menu oferece diferentes tipos de curry (opções vegetarianas inclusas), bobotie (carne moída cozida com caril e temperos doces, assada no forno e coberta com ovos batidos com leite) e variados pratos feitos com carne de carneiro. Tudo isto com uma vista deslumbrante da Table Mountain e toda a hospitalidade dos donos do restaurante, o casal Yusuf e Nazli Larney.

Timbuktu: atmosfera intimista, experiências coletivas

Crédito das fotos: Tripadvidor e Zomato

Especializado em comida etíope, o Timbuktu Café é uma parada indispensável para os que procuram uma atmosfera mais intimista ou mesmo um lugar aconchegante para uma refeição com um grupo de amigos. Situado praticamente em segredo no boêmio bairro de Observatory, – graças às plantas que cobrem os portões do restaurante – o Timbuktu chama a atenção de sua clientela pela comida sempre deliciosa e por sua impecável decoração e mobiliário de época.

Para os que não são familiares com a comida etíope, se prepare para por as mãos na massa (literalmente): os alimentos são servidos sobre um pão aerado e sem gluten chamado injera e os clientes são convidados a lavarem as mãos antes de usá-las para degustarem cada porção, que geralmente, são servidas para que todos à mesa comam juntos. Possui um rico menu vegano/vegetariano já que, na Etiópia, boa parte da população é cristã ortodoxa e não consome carne em alguns dias da semana.

Uma boa pedida para os que querem aproveitar ao máximo a experiência etíope são os pratos que oferecem porções de cada item do menu. O meat platter, por exemplo, contém porções de pratos como o key wot (guisado de carne cozido em molho de Berbere e especiarias) e o kifto (carne magra, picada e aquecida em uma manteiga temperada, servida com queijo cottage). Para os que não comem carne, o veggie sampler é um prato cheio: há porções bem servidas de pratos como gomen (espinafre ao estilo etíope) e atkilt (cozido de vegetais ao curry feito com cenoura, batata, pimenta e cebola).

Apesar de não possuir licença para vender bebidas alcóolicas, os clientes são mais do que encorajados a trazerem seu próprio vinho.

Gold Restaurant: quebrando estereótipos

O Gold é um daqueles restaurantes que oferece muito mais do que uma experiência gastronômica: ele promete fazer você viajar do sul ao norte da África com seu requintado menu e apresentações tradicionais de dança e música. Há também muita interatividade: os clientes têm a oportunidade aprender a tocar um tambor djembe com a ajuda de um facilitador.

Inspirado na cozinha Cape Malay e em pratos tradicionais do norte da África, África subsariana e sul da África, o menu do Gold muda frequentemente. O cardápio atual conta com vegetais feitos ao estilo de Marrocos, lentilhas egípcias, frango preparado ao modo da África Oriental com manga e limão, espinafre com molho de amendoim da Tanzânia e bolinhos kandolo da Zâmbia feitos de batata-doce, especiarias e gergelim.

Importante dizer que o Gold tem também o desejo de quebrar estereótipos sobre as percepções a cerca da culinária africana por meio da disseminação do que há de mais diferente, complexo e saboroso na África. Este trecho do cardápio do restaurante mostra um pouco deste desejo:

“Contrariamente à percepção popular ocidental de uma dieta predominantemente à base de carne, muitos pratos tradicionais africanos contêm pouca carne. Na verdade, a autêntica cozinha africana consiste em grande parte de grãos integrais e feijões produzidos organicamente, frutas e legumes frescos. Em uma sociedade cada vez mais consciente em relação à saúde, a cozinha africana pode muito bem se tornar a nova maneira saudável de cozinhar.”

Marco’s African Place: música ao vivo e tradição

Situado em Bo-kaap, o Marco’s African Place une o melhor de dois mundos: cozinha e música ao vivo de qualidade se encontram em um vibrante restaurante com capacidade para 280 pessoas. Suas principais especialidades são pratos da culinária africana, indígena-africana e Cape Malay acompanhados de cervejas locais caseiras.

Decorado com cores vibrantes e estampas tradicionais, o restaurante é embalado por uma trilha sonora de ritmos como marimba, Afro-jazz e o congolense kwasa-kwasa. Seu dono, Marco Radebe, nasceu na Suazilandia e aperfeiçoou-se como chefe em um hotel em Joanesburgo. Contrariando o que o Apartheid o reservava, abriu seu primeiro restaurante em 1989, poucos anos antes do regime segregacionista chegar ao fim.

Hoje, o Marco’s African Place é ponto de referência para turistas e moradores locais interessados em uma noite de entretenimento e sabores autênticos. Entre os destaques do cardápio estão frutos do mar fritos ou grelhados como o Kinglip (maruca sul africana), medalhão de vitela, frango ao molho de pimenta peri peri, cozido de carneiro e curry de carne de boi. Todos acompanhados de pap (polenta de farinha de milho), umngqusho (farinha de milho grossa com feijão), arroz ou fritas.

The Africa Café: icônico sem deixar de expandir horizontes

Assim como Marco Radebe do Marco’s African Place, os donos do Africa Café, Portia e Jason de Smidt, abriram seu primeiro restaurante pouco antes do regime do Apartheid chegar ao fim. Naqueles tempos, em 1992, o casal achava que os moradores locais não se sentiriam confortáveis em jantar em um lugar cujos donos eram de etnias diferentes, mas tentaram a sorte mesmo assim. Vinte e cinco anos se passaram e o Africa Café figura hoje entre os restaurantes mais icônicos de Cape Town.

Seu cardápio é resultado de muitas viagens realizadas pelo casal pela África: frango do Maláui com noz de macadâmia, peixe cabeça-de-cobra empanado, empadas de feijão zambianas, estufado de carneiro marroquino com tâmaras, aib da Etiópia (espécie de requeijão com ervas frescas) e espinafre à Congolesa são alguns dos pratos de destaque.

Sempre procurando expandir os horizontes do restaurante, Portia tem adicionado pratos crudívoros (raw food) aos almoços servidos no Africa Café. Em entrevista ao The Star, ela afirma que o restaurante ganhou muitos prêmios por essa abordagem, mas que sua maior preocupação está na energia investida nos alimentos. “A comida crudívora tem sua própria filosofia de que a energia que você emana ao cozinhar tem impacto na comida que você prepara. Então você precisa estar em um bom estado de espírito, de coração aberto”, afirma. Mais um ótimo motivo para conhecer o Africa Café!

Mama Africa: safári de sabores

E por último, mas não menos importante, está o Mama África, audacioso restaurante que nos lembra da famosa música de Chico César. Seu slogan é incisivo: se você não foi ao Mama Africa, você não esteve em Cape Town. Isto porque, o restaurante é ponto de referência da cidade quando o assunto é comida tradicional africana.

Criado em 1995 como uma celebração à nova democracia sul africana, o Mama Africa esbanja diversidade e hospitalidade em uma localização certeira na turística Long Street. Assim como o Gold Restaurant, oferece apresentações de música – marimba, jazz, soul africano e percussão – quase todas as noites. Durante à noite, o restaurante abre as portas de sua galeria de arte para a clientela interessada em levar um presente original para casa.

Seu cardápio é destinado aos paladares aventureiros e curiosos, contendo uma variedade bem grande de frutos do mar e carnes, entre elas, as de animais como crocodilo, avestruz, springbok, kudu e veado. Os aperitivos também são bem diversificados: fígados de frango à moçambicana, patê de peixe Snoek, crocodilo com molho de amendoim e mexilhões da costa leste prometem uma introdução marcante à experiência Mama Africa.

Endereços:
Bo-Kaap Kombuis
7 August St, Schotsche Kloof

Timbuktu
16 Lower Main Rd, Observatory

Gold Restaurant
15 Bennett St, Green Point

Marco’s African Place
15 Rose St, Schotsche Kloof

The Africa Café
108 Shortmarket St, Cape Town City Centre

Mama Africa
178 Long St, Cape Town City Centre