por Nathalia Marangoni em 22 Fevereiro, 2018
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Embarcar em uma aventura de safári longe das multidões é muito mais do que um luxo ou uma exclusividade – é também uma chance de mergulhar verdadeiramente em uma experiência de imersão na natureza.

Como comentamos anteriormente em nosso blog, escolher reservas ou concessão privadas é uma forma de evitar as aglomerações de veículos de safári em parques aclamados, como o Kruger, o Etosha, o Serengeti e o Maasai Mara.

No entanto, há também uma série de parques e reservas nacionais pouco exploradas por turistas que podem ser um prato cheio para quem busca por avistamentos exclusivos de animais e atrativos que vão muito além dos “Big 5” ou “A Grande Migração dos Gnus”.

Confira abaixo alguns dos parques e reservas nacionais mais subestimadas pelos turistas, mas que certamente valem uma visita por oferecem um algo a mais:

Parque Nacional Hwange, Zimbábue

Safári a pé em Hwange, no Zimbábue

Safáris a pé no Parque Nacional Hwange são excelentes formas de explorar e observar sua vasta vida selvagem

Ainda que seja o maior parque do Zimbábue, Hwange não é presença frequente na lista dos mais aclamados parques nacionais da África — muito em parte porque: a) a indústria de safári local é menos desenvolvida que a de seu vizinho, África do Sul b) a atmosfera política instável do país nos últimos anos, antes da renúncia de Robert Mugabe, não contribuiu para que seu turismo florescesse como poderia.

No entanto, não se deixe iludir: o parque de aproximadamente 14,650 quilômetros quadrados tem muito a oferecer, tanto por seus animais, como por suas hospedagens de luxo. Não é à toa que no ano passado, um artigo da Vogue destacou que o parque proporciona aos visitantes a oportunidade de vivenciar uma experiencia de safári antes do turismo moderno “higienizado, com animais etiquetados, chamadas de rádio e sete jeeps aglomerados em torno de um leopardo assustado”.

Lar para 100 espécies de mamíferos e 400 espécies de aves, Hwange se destaca por abrigar os “Big 5”, uma abundante população de elefantes, bem como espécies ameaçadas ou vulneráveis, como a chita e o cão-selvagem-africano. Um bom período para visitar o parque é entre julho e outubro, quando a vegetação está menos espessa e a temporada seca motiva os animais a se reunirem em fontes de água específicas.

Parque Nacional Tarangire, Tanzânia

Elefantes são marca registrada do Tarangire

Manada de elefantes caminhando à beira da água no Parque Nacional Tarangire

O circuito norte de safáris da Tanzânia é marcado pela existência de atrações imbatíveis, extremamente cobiçadas pelos turistas: do Serengeti – um dos palcos da grande migração – à prolífica cratera de Ngorongoro ao majestoso Monte Kilimanjaro, é comum que os viajantes se esqueçam de incluir uma passagem pelo Tarangire em seu itinerário. No entanto, nós acreditamos que o ofuscado parque de 2,850 quilômetros quadrados merece uma visita!

Sua alta concentração de árvores baobá e elefantes – a maior população da Tanzânia – o tornam fascinante para fotógrafos que desejam documentar cenários icônicos do continente africano. Assim com o o Hwange, o Tarangire proporciona excelentes avistamentos de animais especificamente durante sua temporada seca – entre julho e novembro; no restante do ano, o parque pode não ser tão atraente, já que uma parte dos animais migram para outras regiões – quando os animais se reúnem ao redor de poços d’água e ao longo do rio Tarangire.

Além de elefantes, espere avistar boas quantidades de zebras, gnus e gazelas de Thompson. Naturalmente, predadores como leopardos, chitas e leões ficam à espreita, esperando a oportunidade perfeita pra sua próxima refeição.  Se você é apaixonado por pássaros, este é um destino imperdível – são mais de 550 espécies registradas. Algumas das hospedagens da região oferecem atividades exclusivas como safáris a pé e noturnos, o que não é sempre comum em alguns parques.

Parque Nacional Tsavo, Quênia

Os icônicos leões sem juba de Tsavo. Foto: Richard Rhee

Os icônicos leões sem juba de Tsavo, descendentes de “A sombra e a escuridão”. Foto: Richard Rhee / Wikimedia Commons

Se você assistiu ao filme “A Sombra e a Escuridão” – estrelando Val Kilmer e Michael Douglas – sabe que “tsavo” significa “matança” na língua do povo Kamba. Lembrada por abrigar uma dupla de leões sem juba responsável pela morte de cerca de 30 pessoas que trabalhavam na construção de uma estrada de ferro durante boa parte de 1898, o parque é dividido em Leste e  Oeste e cobre cerca de 4% do território queniano (23.000 quilômetros quadrados), o que o torna o maior parque do país.

Tsavo se revela como um excelente destino de safári, especialmente se estivermos falando de Tsavo Oeste, que não apenas abriga os “Big 5” e leões sem juba descendentes dos notórios leões matadores, como também conta com uma ampla variedade de aves e é lar de leopardos, elefantes hipopótamos e búfalos. Isto se deve ao fato de ser mais montanhoso e contar com uma maior variedade de fontes de água – como o lago Jipe, pântanos e as nascentes Mzima.

Elefantes, Parque Nacional Tsavo, Quênia

Tsavo Leste é um verdadeiro retiro para elefantes. Na região, é possível encontrá-los como na foto acima, cobertos por um tipo de lama avermelhada, devido ao solo distinto da região.

Seu ecossistema também surpreende: colinas vulcânicas, fluxos de lava e densas florestas de acácia marcam o território, onde – em dias claros – é possível avistar os picos nevados saudoso Monte Kilimanjaro. Tsavo Leste também tem seu charme e, ainda que sua densidade de vida selvagem não seja alta, ele possui uma pequena vantagem em relação ao seu vizinho: é mais fácil avistar os animais graças à ausência de folhagem.

Em Tsavo Oeste, aliás, caso você prefira estar rodeado de vegetação verde e quer ter a oportunidade de ter uma boa visão do Kilimanjaro, a estação úmida foi feita para você. No entanto, por conta da densa vegetação do parque, é mais fácil observar a vida selvagem nos meses mais secos, quando os animais são obrigados a se reunir ao redor de poços de água e rios para matar a sede. Por possuir áreas mais planas e menos vegetação, Tsavo Leste garante avistamentos mais fáceis durante a estação seca – que acontece entre outubro e maio.

Parque Nacional Kafue, Zâmbia

Defassa Waterbuck, Kafue

“Defassa Waterbuck”, uma espécie de antílope da família dos bovídeos, em Kafue. Foto; Paul Maritz / Wikimedia Commons

A Zâmbia costuma ser lembrada por compartilhar com o Zimbábue as majestosas Cataratas Vitória. Muitos viajantes passam pela região — considerada a capital da aventura da África – para embarcar em atividades aquáticas ou de observação de animais, antes de seguir para outros países africanos. Um bom contingente, porém, não sabe que ali está um país com grandes atrações de safári para os aficionados da vida selvagem.

Bom exemplo disto é o Parque Nacional Kafue. Mesmo sendo o maior e mais antigo parque da Zâmbia, ele não atrai grandes concentrações de turistas. Em compensação, suas pastagens, florestas e planícies de inundação, atraem uma grande variedade de animais, como chitas, gnus, cães selvagens e muitas outras espécies. Ainda que não tenha sido o berço do safári a pé – a modalidade surgiu no também zambiano Luangwa Sul – muitas hospedagens de Kafue promovem a atividade.

Conhecido com o um dos melhores lugares para observar leões e leopardos, Kafue conta com uma ampla variedade de antílopes e abriga espécies mais elusivas como o intimidador e, ao mesmo tempo, divertido texugo de mel. A melhor época para avistar animais no parque acontece entre maio e outubro, quando se torna fácil prever seus movimentos, já que estão em busca de fontes de água. As planícies de Busanga, que estão entre os destaques do parque, só pode ser acessadas entre julho e novembro.

Central Kalahari, Botsuana

Leoa e filhotes na Central Kalahari, Botsuana - Rhino Africa

Leoa protege filhotes na reserva Central Kalahari

Alguns aspectos tornam o Central Kalahari um destino perfeito para viajantes verdadeiramente independentes: a) é um lugar extremamente remoto e pouco visitado; b) não há uma ampla variedade de acomodações na região; c) visitantes que preferirem uma experiência verdadeiramente aventureira – escolhendo dirigir por conta própria ao invés de realizar safáris guiados – precisam ser realmente autossuficientes nas trilhas limitadas do parque, ou seja, trazer todos os equipamentos necessários para uma experiência segura e satisfatória. Se os fatores acima são pontos positivos para você, então comece a preparar sua viagem para esta joia de Botsuana conosco.

Situado no deserto de Kalahari, o parque nacional cobre uma área de 52,800 quilômetros quadrados e é a segunda maior reserva de animais do mundo. Sua ampla variedade de vida selvagem – incluindo espécies como girafas, elefantes, rinocerontes-brancos, leões, leopardos, cães-selvagens e kudus – combinada com o fato de seu terreno ser plano, tornam as experiências de safári excepcionais em um destino verdadeiramente remoto.

Caso você realmente queira evitar multidões e ter uma experiência pura de isolamento, visite a reserva na temporada de chuvas – entre novembro e março – quando os animais se concentram em determinadas regiões, como vales e salares, e os preços das acomodações estão mais baixos. Durante a temporada seca, ainda é possível avistar a vida selvagem, no entanto, os animais estão mais dispersos. O Central Kalahari também é especial por ser um dos últimos lugares no planeta a ser habitado pelo povo San. Leia mais sobre seus costumes e cultura em nosso artigo A extraordinária dança típica do povo San de Kalahari.

Reserva de Animais Pilanesberg, África do Sul

Rinocerontes na Reserva Pilanesberg, na África do Sul

Rinocerontes na Reserva Pilanesberg, na África do Sul

Por último, mas não menos importante está a Reserva de Animais Pilanesberg, situada em uma cratera vulcânica na África do Sul. Ainda que seja relativamente pequena comparada a outras reservas do país – cobre uma área de 550 quilômetros quadrados – a área ganha seus vistantes pela conveniência: está a 3 horas de Joanesburgo, abriga os “Big 5” e está situada em uma área livre de malária. Muitos brasileiros, aliás, costumam desfrutar desta localização cômoda, agendando uma visita ao Resort Sun City, como mencionado neste artigo de nosso blog: Brasileiros na África: hospedagens e destinos turísticos preferidos

Como se não bastasse, a reserva conta com uma série de hospedagens, que oferecem atividades diversas como passeios de balão de ar quente, caminhadas guiadas e safáris em veículos 4×4. A alta temporada na região acontece entre abril e setembro, quando a vegetação do parque está mais verdejante. Neste sentido, as aglomerações de turistas e as chuvas podem incomodar. Para driblar estes fatores que podem ameaçar sua aventura longe das multidões, visite o parque entre meados de julho até meados de outubro, quando os animais “mostram a cara” mais facilmente, já que precisam se nutrir por mais tempo durante o inverno.


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